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Seminário Elas Inovam apresenta informações vitais para mulheres empreendedoras
Evento organizado pelo CETT/UFG e pela Escola do Futuro de Goiás reuniu mais de cem pessoas no Hub Goiás, no dia 22 de março, para debater empreendedorismo feminino e tecnologia
Com o objetivo de impulsionar a participação feminina no ecossistema da inovação, o Centro de Educação, Trabalho e Tecnologia (CETT/UFG) e a Escola do Futuro, promoveram o seminário Elas Inovam, que trouxe profissionais da área do empreendedorismo para falarem sobre suas experiências na área e apresentou resultados alcançados pela Escola do Futuro de Goiás por meio de programas de formação voltados a mulheres. O evento contou com a participação de alunas das seis unidades da Escola do Futuro situadas nas cidades de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Mineiros, Santo Antônio do Descoberto e Mineiros.
Tendo como mestre de cerimônias a consultora jurídica da Escola do Futuro Luiz Rassi, de Aparecida de Goiânia, Maria Camila da Silva Lima, o seminário foi iniciado por uma formidável apresentação de Dança do Ventre da bailarina Natalia Alves dos Santos do Studio Nouf.
Uma roda de conversa mediada pela microempresária Andressa Martins, consultora da Escola do Futuro Luiz Rassi, com formação em Publicidade e Propaganda, deu início à programação de palestras e debates. Andressa contou que começou sua loja de açaí dentro de um programa de Pré-Incubação de Empresas da Escola do Futuro, em 2022. Desde então, deslanchou como empreendedora e hoje é, também, consultora do programa Goianas S/A, na mesma escola. “O empreendedorismo feminino tem tido muito incentivo da Escola do Futuro, e isso é muito bom, porque é difícil empreender, principalmente para a parte feminina da população, porque as pessoas não dão crédito suficiente. Muitas vezes a gente precisa gritar para ser ouvida”, comentou.
Na roda de conversa, Andressa conversou com três mulheres empreendedoras: Lorelei Schindel, Drielly Neres e Keroliem Reges. Lorelei Schindel fez parte da primeira edição do Goianas S/A, na Escola do Futuro Luiz Rassi, e, com o auxílio das consultoras do programa, criou a empresa Lory Crochês, que, neste ano, começou a exportar seus produtos para a Europa. “Eu queria aprender a lidar com a tecnologia, aí eu tive que começar desde montar um Instagram, fazer oficinas de fotografia. A gente teve apoio 100% dentro da Escola do Futuro, então essa parte, quebrar esse tabu, tipo ‘Eu vou fazer’, ‘eu vou conseguir’, ‘eu vou dar conta’ não é fácil. Nosso grupo foi bem unido, das primeiras mulheres do Goianas S.A., acho que foi o diferencial, a gente debatia muito ali dentro. E eu via que todas nós ali tínhamos essa dificuldade na área da tecnologia. Então, esse foi o maior desafio para eu desenvolver o meu projeto para começar a empreender”, narrou.
Drielly Neres, coordenadora do GPI Comunilab, da Escola do Futuro Paulo Renato de Souza, de Valparaíso, e mestre em Educação e Tecnologia, elencou as ações que tem realizado para incentivar mulheres no processo do empreender. “A gente busca fomentar a concepção motriz da comunicação, dentro desse processo da economia criativa para possibilitar que as pessoas compreendam a comunicação como uma estratégia fundamental nesse processo de construir e desenvolver um negócio. Além disso, eu fundei e sou presidente da Academia Valparaisense de Letras, e sou uma empreendedora de livros também, temos um selo editorial, a Colibri, onde a gente estimula e trabalha a ideia de produzir livros, principalmente por mulheres. Hoje, nós temos uma academia composta por 70% de mulheres, e dentre as 568 academias de Letras que nós temos em nosso país, nós temos somente 43 mulheres à frente, e eu tenho muito orgulho de ser uma delas. O meu trabalho é inspirar para que tenhamos cada vez mais”, declarou.
Keroliem Reges, proprietária da empresa Reges transportes de aparecida de Goiânia, falou sobre os desafios que tem encontrado no exercício de sua função. “A área de transportes em Goiânia e Aparecida tem 95% de homens. Na minha empresa tem 20 funcionários e eu sou a única mulher, então, eu sofro muito machismo. Chega alguém para fazer uma vistoria, por exemplo, e ele já quer diminuir a gente simplesmente por ser mulher, insinuando que a gente não entende, então, o principal desafio ainda é esse, ele chega e diz que quer falar com o proprietário, e eu digo, ‘você está falando com a proprietária’. Eu tento superar isso sabendo muito da minha área. Ontem, por exemplo, eu tirei minha carteira de motorista na categoria D”, detalha.
Transformação digital
A carioca Raquel Belém, formada em Jornalismo, com MBA em Gestão de Marketing Internacional pela Massachute Institute of Business dos Estados Unidos e é executiva comercial em uma grande empresa de tecnologia, abordou o tema “Transformação digital e o poder das mulheres, como inovar e conquistar seu espaço no mercado de trabalho”. Ela compartilhou um pouco de sua trajetória, contando como vivenciou as mudanças no mercado trazidas pelo universo digital, detalhando sua adaptação a essas mudanças e o quanto isso impactou na sua vida empresarial. Raquel reiterou a percepção das múltiplas barreiras que as mulheres sofrem no mercado de tecnologia: “Essas barreiras parecem que triplicam, porque é um mercado que sempre foi muito masculino, e existem muitas barreiras para entrar”.
Assim, ela fez um convite às mulheres para que elas possam se preparar e, de fato, acreditar que é possível transformar suas vidas e suas carreiras, fazendo da tecnologia uma aliada. “Quando as mulheres assumem grandes papéis de liderança, tanto líderes de empresas particulares como de estatais, mulheres empreendedoras do mercado de tecnologia e de outros mercados, elas conseguem transformar suas vidas, a realidade de seu entorno e ainda impactar a vida de outras pessoas”, incentivou.
Alethéia Cruz, diretora em Avaliação e Desenvolvimento do CETT/UFG e referência em inteligência financeira, ministrou a palestra “Empreenda com inteligência financeira”. “Falar sobre dinheiro, sobre finanças costuma ser um tabu entre mulheres. Mas nós precisamos discutir isso e precisamos ter em mente o que devemos fazer. Nós mulheres precisamos estruturar tudo na nossa vida, e eu divido essa estruturação em três pilares: potencial, propósito e posicionamento. Primeiro, é preciso descobrir qual é seu potencial, a capacidade de desenvolver competências e habilidades que cada pessoa tem. No propósito, precisamos desenvolver a intenção e a estratégia financeira e, por último é o posicionamento financeiro. A mentalidade financeira da empreendedora faz toda a diferença para o sucesso da empresa, pensar como quem prospera é essencial, ter a mentalidade abundância e não de escassez”, orientou.
Heloisy Rodrigues, primeira mulher a se formar em Inteligência Artificial na América Latina, tendo sido aluna na UFG, ministrou a palestra “Inteligência Artificial, vivências e oportunidades no mundo da inovação”. Sua fala trouxe reflexões essenciais sobre como a tecnologia pode impulsionar o empreendedorismo sem perder os princípios humanistas que nos guiam. “A Inteligência Artificial (IA) está transformando profundamente o mundo do empreendedorismo, desde a criação de uma empresa até a maneira como as pessoas consomem aqueles produtos. Então, temos que fazer isso para incluir as mulheres, elas precisam aprender a analisar dados em tempo real, identificar padrões e otimizar estratégias, proporcionando uma visão mais detalhada da empresa, o que vai assegurar a permanência e o sucesso da empresa”. Segundo ela, a IA também pode auxiliar na elaboração de políticas públicas, usando algoritmos para identificar as áreas mais vulneráveis, prever crises e oferecer soluções antes que os problemas se agravem. “É exatamente isso que a IA está fazendo: analisando grandes volumes de dados para localizar comunidades que mais precisam de ajuda e orientando ações mais eficazes”, assegura.
Maíla Aguiar Souza, técnica da Escola Luiz Rassi, apresentou a palestra Prototipando com a impressora 3D, mostrando ao vivo a impressão de um porta-toalha, explicando sobre materiais para diferentes objetos e preços de impressoras. “Uma empresa, quando a gente está montando alguma coisa, a gente precisa testar o que a gente quer, seja ali fazendo um bolsa de crochê, seja fazendo roupas, seja fazendo chaveirinhos, a gente precisa testar, sem testes a gente não consegue produzir, não consegue vender, e quantas vezes a gente produz algo, não testa, não vende e dá errado, chega a ser frustrante. Nesse caso a prototipagem é esse passo, que é o teste, que é aplicar tudo que a gente está construindo, testar, colocar no mercado, e depois está validado”, ensinou.
Encerrando o seminário, Júlia Galvão, criadora de conteúdo digital, contou sua história de sucesso iniciada aos 13 anos como blogueira, que evoluiu para empresária, com a criação de marca de roupas Ambrô. Júlia conta com mais de duzentos mil seguidores no Instagram, uma das redes que utiliza para vender suas criações. “Está ruim, continua. Está dando certo, continua. Está dando errando, continua mais um pouquinho. Não é ficar dando murro em ponta de faca, é a gente não desistir quando a maré ruim vier. A gente aprender a descansar, ao invés de desistir, porque muitas vezes o que acontece é que estamos cansadas, e com razão. Todo mundo sabe aqui o que é o peso de carregar a própria história, as próprias dores”, filosofou.
Avaliação institucional
Robert Bonifácio, subsecretário de Formação de talentos e transformação digital da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), esteve presente no evento e falou sobre políticas públicas criadas pela Secti para mulheres. “As escolas do futuro têm esse claro recorte de fomento ao empreendedorismo e inovação para as mulheres. Neste mês, inclusive, estamos com inscrições abertas para o programa Goianas S/A., que é uma capacitação, uma formação em empreendedorismo, em criação de projetos. E esse evento, Elas Inovam, vem coroar esse rol de ações que as escolas do futuro fazem em relação ao recorte de gênero”, analisou.
A professora Alethéia Cruz, que, além de palestrante foi quem idealizou o evento, junto com a equipe do CETT/UFG, fez uma breve análise do evento e de seu objetivo em relação à atuação feminina no empreendedorismo de inovação e tecnologia. “Esse é um evento muito importante, organizado por mulheres e para as mulheres, no qual nós discutimos tecnologia, inovação e empreendedorismo. Esse seminário é de extrema relevância porque sabemos que os espaços de tecnologia hoje são amplamente ocupados por homens, sabemos que é uma questão de gênero, visto que as próprias mulheres não se enxergam nesses espaços. A gente precisa e deve ocupar esses ambientes, precisa aprender sobre isso, adquirir mais conhecimentos para que possamos ampliar nossa atuação", convida.
Além das palestras, o seminário abriu espaço para a exposição de startups pré-incubadas e egressas das Escolas do Futuro de Goiás, promovendo conexões entre novas empreendedoras e o mercado. Grupos de Pesquisa e Inovação (GPIs) também apresentaram seus projetos em áreas como soft skills, marketing digital e reciclagem.